quarta-feira, 16 de maio de 2018

Loggi e demais empresas de motofrete com aplicativos empurram setor para baixo

Trabalhadores aguardam os chamados na rua, próximos aos clientes da LOGGI TECNOLOGIA LTDA. Ao registrar a foto, os trabalhadores imediatamente colocam os seus capacetes para não serem identificados porque temem represálias, como já aconteceu com outros motociclistas. Nenhum trabalhador quis se identificar para a fiscalização por temerem represálias da empresa. MTE - SRTE/SP - Foto: divulgação

Precarização das relações trabalhistas, baixa remuneração – a Loggi pagava R$ 22,90 (2013) e agora paga R$ 12 (2018) com nenhum reajuste e sim, com projeção de diminuição do valor ainda esse ano, e trabalho sem jornada fixa são algumas das situações vividas pelos motoboys que trabalham para essas empresas nas grandes cidades brasileiras Dessa forma, motociclista que trabalha para a Loggi teve salário diminuído com o passar dos anos enquanto profissionais registrados em carteira tiveram diversos aumentos nas Convenções Coletivas negociadas pelo SindimotoSP, além de direitos e benefícios preservados.

A Loggi e outras que atuam no setor dessa forma estão, de fato, explorando o trabalhador e podem até iludir os motoboys, mas não convenceram o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Elas estão sendo investigadas e já foram chamadas para darem explicações para o governo federal.
A Loggi, por exemplo, já foi multada em mais de 2 milhões de reais e teve, em sentença proferida pelo MTE , também foi obrigada a registrar pouco mais de 500 funcionários.

A Loggi e demais empresas que exploram o setor dessa forma praticam concorrência desleal com as empresas de entrega express, tiram todos os direitos dos trabalhadores motociclistas com brechas nas leis e fazem o que querem e na contramão da história, ainda sucateiam o setor tratando os motoboys como empresário só no papel, pois assim, eles não fazem greves, protestos e reivindicações. E quando fazem, a Loggi, principalmente, elimina sumariamente o trabalhador da plataforma.

Com essa desculpa de motoboys serem MEIs, a Loggi diz que vai renegociar os contratos em todos os sentidos, mas não o faz. Resultado disso é o motociclista profissional ter que gastar uma fortuna com itens obrigatórios de segurança para moto, curso, Condumoto e Licença Motofrete para ter que se sujeitar as exigências da empresa, que fatura cada vez mais. Segundo revista importante do setor de negócios, em 2017 a Loggi teve faturamento milionário.

Enquanto isso, trabalhadores tem reclamado que ficam aguardando chamadas na rua debaixo de sol ou chuva, tem que se submeter a jornadas longas para garantir um ganho mínimo e não tem nenhum direito ou benefício, como os conquistados em 10 anos de luta pelo SindimotoSP, como a atual reajuste salarial que ficou acima da inflação, além de periculosidade, entre outros.

O que é certo é certo, a justiça tarda, mas não falha e no final das contas tudo será colocado em pratos limpos e os trabalhadores terão seus direitos respeitados e preservados, aliás, um empresário que tem leis trabalhistas que funcionam no país dele e diz respeitar, deveria no mínimo, fazer isso no Brasil.

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